Capítulo 3

16 03 2009

NOTAÇÃO MUSICAL


Agora a coisa pega fogo… Peço desculpas aos que não gostam de história, pela conclusão do último capítulo. Mas é impossível estudar algo sem ir até o fundo, então…


A partir daqui nossa teoria fica um pouco mais prática. Aos que não gostam de gráficos, desenhos e cálculos, peço que esperem mais um instante para que passem a apreciá-los. Acreditem, eu nunca gostei de matemática. Quando nosso mestre disse que música é matemática eu fiz careta também… Mas eu sou a prova de que matemática não é um monstro como se pensa. Bom, chega de conversa. Aos estudos!

Notação musical é a forma gráfica de expressar a música. É o conjunto de sinais musicais, como pauta, notas, claves, figuras de ritmo, sinais de duração, etc..

Pauta ou Pentagrama – Conjunto de cinco linhas e quatro espaços “paralelos, horizontais e eqüidistantes.” Traduzindo: mesma direção, mesmo comprimento e mesma distância entre um e outro. A pauta é onde são escritas as notas. Contam-se as linhas e os espaços, como nas cordas de um violão: de baixo para cima. Quanto mais embaixo estiver a linha ou o espaço, mais grave será a nota ali colocada.

A pauta natural, com suas cinco linhas e quatro espaços, nem sempre comporta toda extensão de freqüências utilizadas na música. Por isso usam-se linhas e espaços suplementares que são, como o nome sugere, linhas e espaços colocados acima e abaixo da pauta, para que possamos escrever as notas mais agudas e mas graves de que precisarmos.

Notas são os sinais que representam os sons. São ao todo sete notas, que se repetem, de sete em sete, infinitamente. São elas: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si. Na pauta musical as notas formam uma seqüência. Seguindo-a na ordem crescente ou decrescente teremos a Escala.

Se você tem acesso a um piano ou teclado pode identificar os sons nas teclas brancas, na seqüência abaixo:

Consta que foi Guido D’Arezzo, célebre músico do século XI, quem deu nomes aos sons musicais, aproveitando a primeira sílaba de cada verso do Hino a São João Batista:

05

Tradução: “Purificai, bem-aventurado João, os nossos lábios polutos, para podermos cantar dignamente as maravilhas que o Senhor realizou em Ti. Dos altos céus vem um mensageiro a anunciar a teu Pai, que serias um varão insigne e a glória que terias.”

Como a sílaba Ut era difícil de ser cantada, foi substituída por Dó. O Si foi formado da primeira letra de Sancte e da primeira de Ioannes.

→ Para fixar o nome das notas e determinar sua posição no pentagrama foram criadas as claves. Colocada no início da pauta, numa de suas linhas, a clave serve para dar o seu nome à nota que estiver posicionada naquela linha. Complicado? Não. Observe:

Existem três tipos de claves:

São apenas três, mas elas podem aparecer em todas as sete posições do pentagrama. Uma para cada nota. A esta propriedade dá-se o nome de Seteclávio.

As claves mais usadas são a de Sol (2ª linha) e a de Fá na 4ª linha.

A ORIGEM DAS CLAVES

Antes de receber os nomes atuais (dó, ré, mi, fá, sol, lá e si), os sons eram chamados pelas sete primeiras letras do alfabeto, assim:

A

B

C

D

E

F

G

si

mi

sol

Note que a letra A corresponde ao lá e não ao dó.

Em países como a Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e Suécia ainda é usada essa nomenclatura. Esta nomenclatura é usada também por quem toca violão etc., para marcar os acordes a serem tocados.

As claves eram, antigamente, representadas pelas letras correspondentes:

Clave de sol

G

Clave de fá

F

Clave de dó

C

Com o decorrer do tempo, os copistas (pessoas encarregadas de copiar partituras), foram deformando essas letras, até que elas adquirissem as formas atuais, como mostrado abaixo.

1. CLAVE DE SOL – coloca-se na 2ª linha, dando seu nome (sol) à nota que ali estiver. As outras notas devem seguir a ordem da escala.

Escala de Dó Maior:

A Clave de Sol é usada para os sons agudos e alguns dos instrumentos, cujos sons são anotados na Clave de Sol são: clarinete, flauta, harmônica (gaita), saxofone alto e soprano, trompete, oboé, cavaquinho, violão, violino etc.

2. CLAVE DE FÁ – coloca-se na 3ª ou 4ª linhas, dando seu nome (fá) à nota que ali estiver. Da mesma forma, as outras notas devem seguir a ordem da escala.

Escala de Dó Maior:

A Clave de Fá é usada para sons graves e alguns dos instrumentos, cujos sons são anotados na Clave de Fá são: trombone, fagote, tuba, saxofone-tenor, contrabaixo, violoncelo etc.

Convém dizer que, para se anotar os sons do piano ou do teclado é necessário o uso de duas claves, onde se usa clave de Fá para os sons graves (teclas utilizadas pela mão esquerda) e a clave de Sol para os sons agudos (teclas utilizadas pela mão direita), tendo entre elas apenas uma linha suplementar onde se anota o Dó central:

3. CLAVE DE DÓ – coloca-se na 1ª, 2ª, 3ª ou 4ª linhas, dando seu nome (dó) à nota que ali estiver. Esta clave, porém, está quase fora de uso. Pouquíssimos músicos a utilizam, dando preferência às claves de Sol e de Fá na 4ª linha.

Escala de Dó Maior:

A Clave de Dó é usada para sons médios, apesar de ser muito pouco usada. Na Idade Média as composições eram escritas em clave de Dó. Atualmente, algumas orquestras ainda a utilizam para alguns instrumentos, como a viola, o violoncelo, o saxofone e o trombone.

Antigamente usava-se também a clave de Sol na 1ª e na 5ª linhas. A razão de termos mais de uma clave é podermos otimizar a escrita e a leitura das músicas. Teoricamente, uma única clave seria o bastante para escrevermos qualquer música. Porém a leitura de uma música cheia de linhas suplementares superiores ou inferiores seria um pesadelo para qualquer musicista. Veja, por exemplo, estas notas:

São difíceis de ler em clave de Sol. Porém, veja a praticidade:

♦Ouvir♦

Ao colocar as mesmas notas na clave de Fá, tudo fica mais nítido. Da mesma forma, poderíamos ter o inverso: Suplementares em Fá passam a ser de fácil leitura em Sol.

♦Ouvir♦

A transposição de tons também se beneficia do uso de várias claves, como veremos adiante.

Vejamos agora como seriam as posições de um Dó central dentro do complexo das Sete Claves (Seteclávio, para os esquecidos):

Abaixo, um exemplo de como as escalas seguem nas duas claves que utilizaremos: Sol e Fá na 4ª linha. Observe que onde a pauta da clave de Fá termina, começa a da clave de Sol. Uma é segmento da outra.

Disponibilizo aos interessados, uma folha pautada que pode ser baixada e impressa para escrita. É importante praticar a escrita musical de forma a gravar bem a posição das notas e o desenho das claves.

Folha Pautada

Folha Pautada Para Piano

Faça isso: em uma folha pentagramada (esta folha pautada que disponibilizei) coloque as claves que estão mais relacionadas ao instrumento de seu interesse e comece a escrever as figuras musicais. Escreva os nomes acima de cada uma delas, até que esse conhecimento esteja bem solidificado. Se tiver acesso a alguma partitura, faça o mesmo. Depois, vá olhando cada nota e falando o nome. Isso o ajudará a memorizar as notas relacionando-as à linha ou espaço que estiver ocupando, tornando assim o processo de leitura mais automatizado.


Ações

Informações

3 respostas

17 03 2009
dri

Parabéns, perfeito. Posso dizer que está sendo de grande valia.

23 03 2009
Joanna Oliveira

Obrigada, Dri^^

Só espero ainda que os estudantes criem coragem pra mandar os exercícios, rsrsrsrs…

2 06 2009
Yuri Tamashior

Esse capitulo de pauta foi dificil…..
mas to curtindo.
Os exercicios estao ajudando muito, sou um pouco preguiçosa pra ler textos digitais e ate que to tirando muita duvida.

Doomoo Arigatouu Gozaimashita !!

Deixe um comentário